Resumo
Este estudo objetivou analisar as experiências emocionais e os sentimentos vivenciados pelas mulheres durante a licença-maternidade, com ênfase na possibilidade de não retorno imediato ao trabalho. Realizou-se uma revisão integrativa da literatura, com buscas nas bases de dados BVS, PePsic e SciELO, considerando artigos em português publicados entre 2019 e 2024. A análise dos estudos selecionados revela que a maternidade desencadeia uma complexa gama de emoções, incluindo culpa, medo, ansiedade e insegurança, frequentemente exacerbadas pela tensão quanto ao retorno laboral. Os resultados evidenciam a persistência de um desafio significativo na conciliação entre as esferas profissional e doméstica, uma dualidade que recai predominantemente sobre as mulheres. Identifica-se que a decisão de interromper a carreira raramente é voluntária, sendo antes uma consequência da falta de redes de apoio familiar e corporativo, bem como da insuficiência de políticas públicas eficazes. Conclui-se que é imperativo reconhecer a subjetividade e as demandas psicossociais das mães trabalhadoras, fomentando estruturas que viabilizem a sua permanência no mercado de trabalho sem a necessidade de abrir mão do exercício da maternidade.
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